Pacuri estava triste, parecia coincidência ruim. Mas pela quarta vez era passado pra trás e tomava chifre da esposa.
O mais triste é que foram todos de mulheres diferentes. Vai ter vocação para corno lá em Alagoinha do Piauí...
Pacuri, perdeu a esposa, a casa, a moral e a vergonha.
Pegou o jegue Jileno, única posse restante do divórcio e partiu para dentro do Sertão.
Depois de dois dias de viagem no lombo de Jileno, tomando cachaça e descançando nas sombras dos mandacarus que encontrava pelo caminho, ele parou no primeiro bordel que viu pela frente.
Precisava de descanso mais cachaça e dos carinhos de alguma quenga...
Marilda veio atender, com cara de extressada.
- Homem, mais que desgracera é essa, se tu quiser que entre, mas esse jegue fica pra fora...
Pacuri, respirou fundo e respondeu decidido:
- Esse jegue tem nome, é Jileno! E vai entrar no cabaré comigo sim!
E Marilda foi ficando mais nervosa:
- Mas não entra não, isso aqui é cabaré de respeito!
- E onde já se viu respeito em bordel mulher! Jileno é meu amigo e entra comigo... Disse Pacuri, já empurrando o jegue bordel a dentro.
Verinha, uma quenga nova, com cara de santa, viu a cena e se apaixonou de pronto.
- O Marilda, mas pare com isso, não vê que os dois são amigos, pois se esse jegue não entrar, eu é que vou embora com eles.
A dona do bordel, já sem paciência não pensou duas vezes:
- Pois vai embora quenga doida, vá você, o jegue e esse bêbado pra fora do meu bordel!
E seguiram os três, Sertão a fora, vivendo a intensa paixão, eram só eles: a quenga o jegue e o bêbado, passaram dois dias de viagem, fazendo juras de amor.
Pacuri já tinha uma nova cachaça, que dividia com a amada, carregada pelo Jileno, amigo fiel e inseparável.
Ele puxava a corda do jegue e seguia a pé, dando descanso ao lombo do pobre animal, pararam numa pequena casa abandonada na seca, já na divisa com o Ceará.
Pacuri jurava amores pra Verinha e fazia planos da nova vida que começariam juntos!
Foi até o lado de fora da casa, acariciou o Jileno e pensou, amigo, obrigado por ser fiel!
Voltou ao quarto e dormiu abraçado com Verinha. Feliz, realizado.
Ao acordar, tomou um susto. "Cadê Verinha?"
Pôs a cabeça pra fora do quarto, procurou Jileno e não encontrou também.
A quenga foi embora com o melhor amigo de Pacuri, o jegue Jileno e ainda levou junto a última garrafa de cachaça.
Pacuri, seguia seu destino. Pela quinta vez era passado pra trás... Dessa vez traído pelo safado do jegue Jileno.
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