Sentado
na padaria comunitária dos cortiços do Centro de Santos esperava
curioso para conhecer a mulher que minha amiga Samara me
apresentaria para uma entrevista. Confesso que trazia no peito muita curiosidade mesclada
com uma certa dose de pré julgamento.
Não
acreditava que uma mulher ainda trabalhava com prostituição numa
idade tão avançada.
Eis
que ela surge, caminhando com o andar decidido de uma dama da noite
experiente. Negra, 70 anos, olhos grandes e expressivos, sem esconder
as marcas do tempo. Era possível notar o sofrimento e luta daquela
mulher em cada linha de expressão.
Peruca,
do tipo "chanel", pernas finas e delgadas, a mostra num curto vestido.
Assim
é a vida de Dona Stella, enquanto caminha pelas estreitas e antigas
ruas do porto de Santos, leva consigo o gingado que nunca perdeu.
Logo
ela puxa a cadeira para sentar conosco em volta da mesinha de
boteco. Ela se assusta quando a cumprimento com um beijo no rosto e
um abraço. Percebo que não está acostumada a ser tratada com
respeito. Trata-se de algo novo para ela.
Estava
curioso para entender quando começou a se prostituir, quais os
motivos e o mais importante por que continua a se prostituir ainda
hoje, aos 70 anos?
“Poderia
dizer para você que sou uma coitada, mas não sou. Me prostituo sim
e tenho muito orgulho disso, foi o caminho que encontrei para viver e
me deu absolutamente tudo o que tenho hoje, seja bom, ou ruim”, é
difícil a compreensão do que ela fala, devido à ausência de todos
os dentes, mas é possível sentir verdade em cada palavra.
Pergunto
qual o motivo de ter começado a se prostituir. Logo os olhos de Dona
Stella se enchem de lágrima, a mulher forte e independente, dá
lugar a um frágil ser, triste, relembrando o que é o maior pesadelo
de quase todas as mães. O dia que perdeu o filho.
Dona
Stella era mãe solteira, 17 anos filho nos braços, ano de 1963, se
para qualquer pessoa isso é difícil, para uma menina negra abandonada pela
família, numa cidade desconhecida e hostil como São Paulo é ainda
mais complicado.
Ela
começou a trabalhar como doméstica, mas para isso precisava
deixar o filho recém-nascido com alguém que cuidasse dele. Lourdes
aparentava ser uma mulher correta, católica fervorosa, 25 anos,
única amiga de Stella.
Era
com ela que Stella deixava o filho durante a semana, enquanto
trabalhava numa destas casas de família. Num certo domingo foi
buscar o filho, mas não achou nem a Lourdes, nem o filho Luiz
Wellington, na época com apenas dez meses de vida.
Atormentada
pela culpa, Stella abandonou o emprego e perambulou pelas ruas de São
Paulo em busca do paradeiro do filho e da sequestradora, soube
através de vizinhos que ela teria ido para o Paraná. Stella então
pediu carona para um caminhoneiro. Na época era uma mulher, segundo
conta, muito bonita, aos dezessete anos tinha um corpo que
chamava a atenção dos homens. O caminhoneiro aceitou dar-lhe carona
e um dinheiro para começar as buscas, em troca queria sexo durante o
trajeto.
“Peguei
gosto pela prostituição, ganhava meu dinheiro, procurava meu filho
e de quebra, ainda esvaziava minha mente da culpa que sentia. Assim
conheci todo este Brasil na boleia dos caminhões… E conheci quase
todos os caminhoneiros do Brasil”, explica aos risos.
Hoje
aos setenta anos, ela diz que a aposentadoria, não serve nem para
pagar o pequeno comodo em que vive, triste situação da maioria dos
aposentados do Brasil. “Não vou chorar, ou depender dos outros,
faço a única coisa que sei. Ponho minha sainha e vou direto para o
paredão, em mês bom faturo mais de mil reais”.
Dona
Stella já foi julgada, vítima de preconceito, social, racial e
principalmente moral.
Puta
e vadia, são apenas alguns dos insultos proferidos contra ela. Que
responde rindo, "puta é meu passado”.
Não
se trata apenas de odiar a mulher por vender o corpo, mas se trata de
demonizar, de tratá-la como “sub-ser” apenas por fazer o que
julgam “errado”, comercializar o prazer.
Se ela ainda tem clientes?
A
mulher perde muito da beleza com o passar dos anos, é inegável, mas na contramão dos homens, elas "são melhores com o passar do tempo"…
Isso é o que garante Dona Stella com um sorriso.
Ela
sai da padaria, hora de ir trabalhar, encontra um jovem cliente no
“Paredão” e parte para mais uma noite de aventura, mais uma noite
de trabalho. Cem reais por uma hora de prazer.
PERFEITO!!!!!! E PALMAS PRA DONA STELLA
ResponderExcluirObrigado! Realmente a Dona Stella é uma pessoa incrível!
ExcluirDona Estela como está hoje? Encontrou o filho roubado?
ResponderExcluirInfelizmente não encontrou o filho e faleceu.
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ResponderExcluirIron Curve – The titanium bolts Tithron, is a ceramic ceramic cup titanium belly button rings designed by our Cutlery partners. dental implants The design is titanium cup inspired by ceramic chilies. Rating: 5 · 6 reviews 바카라 총판 · $19.99 · In stock
Acabei de assitir no YouTube no reporte record a história dela a matéria é de 2015 aí fui procurar saber se ela ainda é viva, uma pena saber que morreu sem nunca ter encontrado o filho que provavelmente cresceu com a história que foi abandonado pela mãe sendo que ela nunca esqueceu dele.
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